domingo, 19 de abril de 2009

Parece que foi ontem









Ainda tenho na memória as carinhas infantis. O tempo passa, envelhecemos, os filhos crescem e se tornam adultos. Eu mesmo, um dia desses era criança. Mas o tempo é implacável. Da infância, além das lembranças e da saudade, ficam os registros. Da minha infância guardei muito pouco: algumas memórias e alguns retratos. Da infância deles tive o cuidado de guardar um pouco mais.
Os desenhos que mostro a seguir, foram originalmente feitos a esferográfica nos cadernos de escola. Como não foram assinados e nem eles mesmos sabem de quem é um e de quem é outro, resolvi apresentá-los como uma obra conjunta e, como um maestro, resolví fazer "arranjos". Colorí com o cuidado de manter os traços o mais fielmente possível e apresento agora pela primeira vez essa obra a seis mãos.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Fim de semana na bica



Meus artistas preferidos - Cyndi Lauper

Felicidade Realista (autor desconhecido)

À princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num SPA cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda à domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão... Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando... Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar!!! É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

sábado, 4 de abril de 2009

O pupilo e o mestre - III FIHQ - Recife 2001


Em 2001 o grande "mago" dos quadrinhos esteve no Recife a convite da organização do III Festival Internacional do Humor e Quadrinhos. Como todo grande artista e não apenas como um "artista grande", atendeu a todos, concedeu entrevistas, autógrafos, etc.
Sem saber, claro, a organização do festival proporcionou uma oportunidade histórica única aos apreciadores dos desenhos e a todos que cobriam e participaram do evento. O genial Will Eisner morreria três anos depois (jan.2005), vítima de complicações em uma cirurgia.
Como fâ e jornalista, Márcio Padrão esteve lá fazendo a cobertura e fez o registro fotográfico para a posteridade.

terça-feira, 24 de março de 2009

Frase

" A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você"

Ralph Waldo Emerson

Minha música

Esta canção do grande Petrúcio Amorim é daquelas que a gente quer oferecer a todos que se acham o centro da galáxia. Da decepção e da mágoa do poeta e da incompreensão e arrogância de quem preferiu ignorar os sentimentos e o talento de um grande artista, nasceu este desabafo que se não é a canção de amor que gostaríamos de ofertar aos que nos recebem e apoiam, é um recado que, às vezes precisamos dirigir a alguns que conseguem enxergar apenas o próprio umbigo. A bela interpretação de Flávio José torna ainda mais eloquente este discurso de indignação e autoafirmação. Eu gosto, me identifico e por isso a coloquei no meu perfil de blogueiro como a minha canção predileta.

quarta-feira, 4 de março de 2009

sábado, 14 de fevereiro de 2009

domingo, 8 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dragão Chinês


Regentes do tempo e da água. Símbolos da autoridade imperial.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Recado

Visita Promissora




Na quinta-feira 08 de janeiro, o recém-eleito prefeito do Município de Gravatá Ozano Brito surpreendeu a comunidade com uma visita à vila acompanhado de alguns secretários e representantes da ONG Ama Gravatá, responsável pela cooperativa de agricultura orgânica na região. Na ocasião Ozano reiterou o compromiso de implementar melhorias na comunidade, entre elas a pavimentação de 600 metros da vila (aproximadamente entre a igreja e o Posto de Saúde), o que deixou todos eufóricos diante da possibilidade de se verem livres dos transtornos causados pelas intensas chuvas do inverno local. O prefeito conheceu também (e parabenizou) as iniciativas da comunidade no pátio da igreja (placa turística e pintura artística dos bancos). Na ocasião Gildo Rocha (na foto com o prefeito) presenteou o novo gestor com uma embalagem de 500gr de Brotos de Feijão de sua produção.
-Veja a matéria completa no Portal da Prefeitura "http://www.prefeituradegravata.com.br"

Carteira de Identidade


A Ruinha de São Severino ganhou na última quarta-feira 07 de janeiro esta placa entalhada em madeira contendo saudação aos visitantes, além de informações turísticas a respeito da vila. A mídia foi um presente da comunidade por iniciativa do agricultor Gildo Rocha que patrocinou o material para sua construção. Fico muito orgulhoso de ter sido convidado para entalhar a mensagem e espero que cumpra com sua função de informar e receber bem quem nos prestigia com suas presenças.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Aproveitando a Primavera





Embora não tenhamos no hemisfério sul e principalmente no Nordeste brasileiro as estações tão bem definidas como no Norte, gosto de prestar atenção nas mudanças que ocorrem na passagem de cada uma delas. Aquí costumamos dizer que temos apenas duas estações: a do sol, cujo início é festivamente comemorado no dia 7 de setembro (inclusive com a abertura da temporada de praia), e a da chuva que inicia mais ou menos depois do Carnaval e que corresponde a Outono e o Inverno juntos.
Realmente o nosso Outono passa quase despercebido. Quase não há aquela característica que faz com que esta estação seja também chamada nos países de língua inglesa de "Falls" (queda) e que refere-se à mudança total das folhas das árvores e que dá aquele colorido tão belo no chão abaixo e ao redor destas. Aquí no Nordeste é a mais chuvosa das estações. Ao contrário do que se pensa, nosso inverno apesar de ter temperatura mais amena e uma chuva fininha quase incessante é também permeado de aparições solares o que, junto com a humidade, faz tudo mofar e cheirar desagradável.
Definitivamente, não gosto do Inverno. Exceto pelo cenário de festas juninas, as comidas de milho e o forró (o legítimo pé-de-serra, não essa "coisa" que empestou por aí), o inverno me lembra muito minhas pontualíssimas crises mensais de asma da infância e adolescência e que não sei porque não me mataram precocemente.
Mas quando as chuvas cessam e o sol seca o chão na segunda quinzena de setembro, a chegada da Primavera nos faz esquecer o "tenebroso" inverno e enche o cenário de cores e aromas por todos os lados.
Talvez por ter vindo ao mundo na Primavera, adoro flores e frutas. Gosto de observá-las, fotografá-las plantá-las colhê-las e tê-las no jardim nos vasos, sobre a minha mesa.
Gosto também dos pequenos animais e aves (como os beija-flores, por exemplo), que acasalam nesta estação e complementam a sua grandiosa beleza.
E, pra completar, gosto da tradução do "poetinha" Vinícius de Moraes de que a Primavera torna fáceis os amores impossíveis.
Por tudo isso e por estarmos a apenas dez dias de seu final, presto por estas fotos mais um tributo a minha estação preferida.

sábado, 25 de outubro de 2008

Frase

"Ostras felizes não fazem pérola."
Rubem Alves - Professor e escritor

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Sobre mulheres e flores


"Não envelheças, amiga minha, por mais que os anos te convidem a deixar a primavera; quando muito, aceita o estio."


Machado de Assis

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008



A Primavera é cor…É sonho
É reviver com alegria
A fuga do Inverno tristonho
Passagem para o Verão risonho
Imaginação para a fantasia
*
A Primavera é…De novo vestir
O tempo que antes estava nu
É a natureza e o seu evoluir
A beleza que volta a reluzir
A Primavera…És tu.


josémanangão




A Primavera é…O amor
O renascer o germinar
O principio de cada flor
Perfumando com seu odor
Todos os tempos do verbo amar

A Primavera chegou


"A Primavera"


A Primavera é…O teu sorriso
A tua juventude o teu olhar
É tudo o que eu preciso
Para não ficar indeciso
Quando te vejo passar

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Lançamento


Wolney Mororó traz à luz mais uma de suas criaturas: Causos e crônicas do que vi e ouvi dizer

Quem estiver no Recife amanhã (10.07.08) deve conferir às 19:00 no SITRAJUF (Sindicato dos Trabalhadores da Justiça Federal) o que esse sertanejo da Floresta com andanças por todo o sertão, Cariri e agreste (e litoral também), acumulou entre fatos e boatos. O local do lançamento fica na Rua Marques do Pombal, 32 - Santo Amaro (próximo ao SESC com acesso pela Av. Visconde de Suassuna).

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Alguma dúvida?



A campanha do Sport Club do Recife na Copa do Brasil foi irretocável . O Leão não tomou conhecimento dos poderosos que se atravessaram em sua frente e caminhou célere à conquista.

Com todo respeito a todos os adversários, estava escrito nas estrelas que este título seria nosso.

E por falar em estrelas, dá licença que vou mandar bordar mais uma dourada em minha camisa.


E que venha a Taça Libertadores das Américas 2009! O Leão está faminto!

Parabéns equipe, diretoria e torcida. Mais uma vez o Brasil está aos nossos pés!

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Lux III


E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos.

E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi.

E fez Deus os dois grandes luminares: O luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas.

E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom.

E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.


Gênesis: Cap. 1 - versículos 3 a 5 e 14 a 19

Lux II


E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.

E Deus chamou à luz dia; e às trevas chamou noite.

E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.

Lux


E disse Deus: Haja luz: e houve luz

domingo, 27 de abril de 2008

Frase

Amadurecimento : É quando você deixa de considerar o sexo como o prato principal e passa a considerá-lo "a sobremesa". - Rubem Padrão

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008


A tarde

O dia quando amanhece
Convida à disposição
Ao matutino oferece
Ventura e compensação

A tarde chega bem mansinha
Desliza nas sombras presentes
Trazendo outra claridade
Com pouco já se fez ausente

Se chove, molha o asfalto
Fazendo subir o vapor
No ar deixa a umidade
Do clima rouba seu calor

Revela todo o esplendor
Já finda a obrigação
Pra trás deixa o mormaço
Aos pés da escuridão

Presenta à prata lusco-fusco
A noite, que é de calmaria
Consagra toda uma jornada
Com a brisa do fim do dia

Wolney Mororó

Gravatá - Pernambuco - Brasil




Pessoa - Carlos Laerte - junho 1988


O cigarro e a tecla,
lúdicos companheiros na histeria absolutista
dos meus delírios poéticos
tão em mim buscando fuga,
se me agradam tão somente por vaidade,
descrevo o cigarro e apago a tecla.
Pode haver vida textual
se na minha ficção não absorvo poesia?
Irrealidades imagino
mas isso não compõe existência,
ordenando-me em linha reta me fragmento
puro deslize, inútil ensaismo filosófico,
verdadeiro desassossego.
Mas, há outro cigarro e as teclas
uma a uma
transfiguram-se em irriquietos heterônimos
chamando-me abusivamente à vida
pouco a pouco
finjo-me pessoa
me permito amigos estranhos,
ali no mesmo canto, prazerosamente,
ombro a ombro
convivendo em mim quando penso existir.
Marco inutilmente encontros,
colóquios, mesa de bar.
Em conjunto
firmamos projetos
votamos concordatas
porém desculpam-me a todo instante:
a pressa dos dias,
a angustia das noites
sempre há um motivo para as faltas.
Talvéz, se remarcarmos aquele tão desejado encontro,
aquele do bar, lembra?
Não há jeito
o apelo em mim
tão de mim buscando
é só espera.
São demais os intérpretes,
e o tempo se encarrega desencontradamente
dos meus originais,
ora espalhados ombro a ombro entre o cigarro e as teclas;
ora espelhados entre pessoa e pessoa, na metade que busco entender.
Ontem tive uma idéia que o outro não viu nascer.
Apaguei rapidamente o cigarro
ascendí à tecla
e fantasiado
pessoalmente em pessoa
cheguei em mim tão inteiro e absoluto
que da minha aldeia me fiz rei
coroado e aclamado por muitos,
cortejado e possuído por muitas
que pensava não existir.
E foi tão grande a festa
tão profunda a sesta
que ao despertar deste encanto
num conto renascí.
Lá me contaram uma história de um certo rei
despótico de si
abusivamente reinou anos a fio
construindo avenidas
tecendo paralelas
e por coincidência
pura coincidência
não lembro se era noite ou dia
sendo deposto por conta
e em contos
num motim organizado sabe-se lá por quem,
lá pras bandas da transversal do tempo.
Há! O que pode pessoas em motim?


sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Flor da Paixão

Os franceses chamam o maracujá de "fruit de la passion" . O maracujá "do mato" ou "maracujá brabo" como o chamam os nativos mostra na beleza de suas flores a razão desse título. É difícil ver essa maravilha da natureza e não se apaixonar. Em São Severino de Gravatá elas aparecem nas cercas dos sítios atraindo abelhas, beija-flores e nossa atenção.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Nova fornada


Saindo do forno ainda quentinho: "Rio que Passa". Escritos e Olhares do meu querido "irmão" jornalista, poeta, publicitário e galã do Vale do São Francisco, Carlos Laerte. Coletânea de textos e fotos recolhidos ao longo de 17 anos de atuação na área de comunicação, Rio que Passa é o sexto trabalho literário de Laerte que também escreveu: "Suspiros de Imaginações" e "Sementes" (em parceria com Lênio Ferraz), "Poemando", "O Quarto" e "70 anos da Marinha no Vale do S.Francisco e Outras Histórias (com Isabel Figueredo).

O lançamento (no Recife) será nesta quinta-feira 06.12.2007 às 19h. na Livraria Arraial (Estrada do Arraial, 2350 - Tamarineira) e contará ainda com apresentações musicais de Rosana Simpson, Reinivaldo Pinheiro e Maciel Melo.

Em Petrolina, o evento acontecerá dia 13.12.2007 na Biblioteca Municipal Cid Carvalho.

Vale a pena conferir!

Só me resta parabenizar Carlos Laerte por mais este empreendimento e desejar-lhe muito sucesso.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A alma da árvore


Acho que poucos artistas têm o privilégio de trabalhar com madeira colhida do próprio jardim. Claro que não planejei isso. Mas não poderia deixar se perder esse material que acabou sobrando da queda de meu pinheiro. Não é uma árvore que fornece madeira em abundância e nem é madeira de lei. Mas aproveito pra fazer matrizes que permitirão moldar peças em materiais mais resistentes e duradouros. Além disso, poderei confeccionar um artefato que sempre quis ter: um pilão.

No primeiro caso, estou produzindo (como pode se ver na foto), matrizes de peças de xadrez que serão fundidas em metal ou concreto. No segundo caso, farei um pilão pra fazer fubá e moer café no interior. De qualquer forma, não foram em vão os quinze anos que cultivei esse belo vegetal que foi referência na minha casa. Afinal, existem outras aplicações para um pinheiro além de servirem meramente de "árvores de natal".

In Memorian


Poucas pessoas que passaram por mim foram tão intensas na arte de viver. poucas foram tão fundo no poço das ilusões reais da vida. Passei dias e dias pensando qual seria a forma melhor de prestar esse tributo a tão ilustre e tão querido amigo desaparecido, ou melhor, desapegado, desencarnado, imortalizado. Pois não se enganem, ele foi alí mas já voltou. Foi alí na esquina do Mercado da Boa Vista se encontrar com Chico Espinhara e Israel Semente pra dar umas bandas por aí mas já está de volta. Eu o ví no dia 7 de setembro, quando amigos poetas o homenagearam. Ele estava lá. Não apenas no vídeo apresentado, onde sua voz rouca nos deliciava com seus poemas tão ácidos quanto verdadadeiros, mas com sua luz a nos guiar nesse obscuro e hipócrita mundo dos vivos. Ele saiu de cena pra entrar de vez nos nossos corações e nas nossas almas.

Polêmico, atrevido, audaz, inteligente, generoso e doce pra citar apenas alguns adjetivos que o definiriam. Tão doce ao ponto de me ofertar uma fotografia 3 X 4 com a singela dedicatória: "Ao amigo Padrão com estima, Erickson Luna". Sua grandeza não cabia na compreensão dos medíocres a quem atacou com fúria. Seu despojamento a despeito de tão rara inteligência incomodava os puristas "caretas", mas as lições de vida e de dicernimento que deixou em seu rastro de luz hão de ecoar eternamente pelos becos dessa combalida cidade. Quer no Beco da Fome, no Pátio de São Pedro, no Espaço Pasárgada, em Olinda, enfim, nas mesas sagradas dos bares que adorava freqüentar. E aquí também, nesse blog onde vez em quando contarei uma das suas. Será, ou melhor, continuará sendo meu sócio nos papos e nos drinques e tenho certeza que todos vão adorar.

Vai amigo, reune a moçada que já chegou, pede um quartinho, um ponche e separa um banquinho que um dia a gente se reencontra pra botar o papo em dia. Por enquanto, vou tomando umas por aquí e se antes eu dava uma prum santo qualquer, agora tenho o "meu" santo : à nossa, São Erickson Luna!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Frase

"Alguns pintores transformam um sol numa mancha amarela, outros porém, transformam uma mancha amarela num sol"

Pablo Picasso

Por pouco




sexta-feira, 12 de outubro de 2007

O susto


às 6:00 h. da manhã de uma sexta-feira chuvosa, o estrondo da queda sobre o toldo de alumínio da garagem. Não é a melhor maneira de acordar, garanto.

Resultado: A linha telefônica rompida, um prejuízo que poderia ter sido bem maior, muito trabalho pra remover a árvore e algum material para os próximos trabalhos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Meu pinheiro caiu!


Ou foi abatido (pelos cupins, não por mim).
Pois é, minha araucária de vinte anos de idade e 15 metros de comprimento veio abaixo no final do inverno passado, vítma desses ardilosos insetos. Ficaram as fotos, a saudade e...
...a madeira que, conseqüentemente está virando arte. Breve, fotos das primeiras peças.

domingo, 23 de setembro de 2007

Primavera







Primavera
Cecília Meireles
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.
Texto extraído do livro "Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Monumentos da Fé


Gosto de observar, fotografar, desenhar as catedrais e igrejas. Geralmente elas vêm de longe com sua arquitetura requintada, suas torres imponentes a apontar o céu. Testemunhas da história e cúmplices da crença de um povo. São geralmente antigas e belas construções como esta no Páteo de São Pedro, centro de Recife que é uma espécie de "máquina do tempo", um mergulho na Recife dos livros de história e geografia de Mário e Hilton Sette e Manuel Correia de Andrade. Uma cidade que vai sumindo diante da dita "modernidade" que apaga nossa identidade e veste-a com o macacão cinza e vítreo das metrópoles.

Tomara que ao menos os templos sejam preservados e guardem em suas naves muitas histórias que componham a memória da cidade que viram nascer há mais de quatro séculos.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Tsuru - 2003



Esta peça construida com arames de ferro utilizados para amarração de feixes de vigas ou cantoneiras vindos da siderúrgica para os armazéns de construção, foi inspirada no origami; arte japonesa de dobrar papel, conferindo-lhe formas de animais.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Frase:

"Arte experimental é pleonasmo. Ou é experimental ou não é arte". Luís Paulo Baravelli - pintor

Nelore - pedra calcárea - 2000


Romário - ferro -1998


Este boneco confeccionado com escapamentos de carros foi uma homenagem ao Romário que "arrebentou" na copa de 1994 junto com Bebeto e que puxou o cordão dos campeões que desembarcaram aqui no Recife com o caneco do Tetra.


quarta-feira, 4 de abril de 2007

Teus Filhos - Gibran Khalil Gibran

Teus filhos não são teus filhos

São filhos e filhas

Da ânsia da vida por sí mesma

Eles vêm através de tí mas não de tí

E embora vivam contigo

A tí não pertencem

Podes dar-lhes teu amor

Mas não teus pensamentos

Pois eles têm seus próprios pensamentos

Podes abrigar seus corpos

Mas não suas almas

Porque suas almas

Moram na mansão do amanhã

Que não podes visitar

Nem mesmo em sonhos.

Podes esforçar-te por ser como eles

Mas não procures

Fazê-los semelhantes a tí.

Porque a vida não recua

E não se demora nos dias passados.

Tu és o arco do qual teus filhos

Como flexas vivas são disparados

O arqueiro mira o alvo na senda do infinito

E estica o arco com toda sua força

Para que suas flechas

Se projetem rápidas para longe

Que a tua inclinação na mão do arqueiro

Seja para a alegria

Pois assim como ele ama a flexa que voa

Também ama o arco que permanece equilibrado

Polêmica? Que polêmica?


INVICTO!

Arte + Arte + Arte

Demanhanzinha o sol entrou pela janela...
...abriu gavetas, revirou minhas lembranças,
Revi cartas, telegramas,
Diademas, bugingangas...
(Alceu Valença- Como se eu fosse um faquir - Coração bobo - 1980)
E ao revirar as bugingangas encontrei essa obra prima que é o vinil Estação da luz de Alceu Valença - 1985 que traz essa primorosa gravura de Wellington Virgulino na capa. Uma obra maravilha que o "maluco beleza" dedicou assim: "Esse disco é dedicado a Carlos Penna Filho (poeta do azul). Renato Campos Carneiro (que me ensinou a ver o ouro das acácias e o sangue dos flamboyants) e a Jorge. Aliás. São Jorge. Ou melhor. São Jorge Amado. Santo do povo da Bahia e do Brasil."
Como se não bastasse, o encarte traz reprodução de obras de Tiago Amorim, João Camara, Zé Som, Paulo Brusky, entre outros .
Música, literatura, poesia, pintura. Tudo no mesmo pacote. Haja arte!

Lança-perfume

Ninfa
Olhos fixos no desejo
Mente ardilosa a tramar loucuras
Passas fagueira a provocar meus sonhos
Sem saber nem querer
Que o fogo ronda a pólvora seca
Quem és na escala da vida?
Mulher não és nem menina
És ninfa
E já que tens o poder
De desabrochar em qualquer jardim
Em qualquer estação
Quero-te o nectar doce e o perfume suave
A permear minha primavera
Quero-te o olhar provocante
E o corpo sinuoso
A fremer gota de orvalho
Decompondo em arco-íris
Um raio de lua
Rubem Padrão - 1990

são severino - gravatá - Pernambuco - brasil